Link in the Sky with Dungeons: Porque todos devem assistir Um Sonho de Liberdade?


Todo mundo deveria assistir à Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption), o filme do diretor Frank Darabont de 1994 baseado em uma obra literária de Stephen King é um daqueles filmes que são praticamente uma unanimidade, que facilmente podem ser chamados de clássico.

Não vou aqui fazer uma crítica para o filme, a idéia não é esta e talvez nem se eu tivesse acabado de assistí-lo eu estaria preparado, não por Um Sonho de Liberdade ser um filme que redefiniu o cinema, que quebrou todas as convenções narrativas, reinventou a roda ou sei lá mais o que, simplismente porque é um filme que está acima de apenas seus “méritos racionais”, é praticamente uma entidade dentro do que a palavra filme representa.


O filme se passa em 1946 e conta a história de um banqueiro – interpretado por Tim Robbins – que é acusado de matar sua própria esposa e seu amante, ele a todo o tempo se diz inocente mas é condenado à prisão, lá conhece outro detento – interpretado por Morgan Freeman – e criam laços de amizade. Embroa na dura realidade penitenciária, com um diretor corrupto, ambos não se desesperam sonham com o dia em que ganharão a liberdade. Esta é uma sinopse bem basica pois prefiro não entregar mais sobre o filme, e não acho que a sinopse seja o que de fato te fará ter vontade de assistí-lo.

Atualmente Um Sonho de Liberdade se encontra na primeira posição do top250 do IMDB dos melhores filmes de todos os tempos, mas é uma posição que vive perdendo e recuperando de O Poderoso Chefão – provavelmente o filme mais cultuado de todos os tempos – e para filmes atuais que entram na primeira posição pelo hype mas acabam descendo, como aconteceu com O Cavaleiro das Trevas, atualmente na 8º posição.

O que importa não é o fato do filme estar na primeira colocação de uma lista votada por cinéfilos do mundo todo, até porque O Poderoso Chefão sempre foi o filme que ficou com o pódio por muito mais tempo, mas sim o fato de um filme ligeiramente recente conseguir alcansar um status tão grande, apenas por ser o que é e sem praticamente nenhuma ajuda à mais.

Um Sonho de Liberdade é um filme da década de 90, foi lançado em um ano onde Quentin Tarantino roubou todos os holofotes com seu maravilhoso Pulp Fiction, no mesmo ano onde Forrest Gump – até hoje meu filme favorito – foi um fenômeno de bilheteria.

É uma produção de um diretor sem nenhum grande sucesso em seu currículo até aquele momento, não trazia nenhum grande astro no elenco, não tinha grande apelo, até por ser um filme que se passa numa prisão e tem um personagem que diz ser condenado injustamente, enfim, não foi um filme que chamou tanta atenção se formos considerar o que viria a se tornar ao longo dos anos.

O filme no Oscar 95 conseguiu um reconhecimento razoável conseguindo 7 indicações, embora o ótimo trabalho de Frank Darabont como diretor não foi reconhecido entre elas. Embora indicado ao prêmio máximo daquele ano, a disputa estava mesmo entre Pulp Fiction e Forrest Gump, este que acabou vencendo o prêmio.

Passara-se os anos e o filme conseguiu cada vez mais encantar uma ampla parcela do público, sendo um grande sucesso nas locadoras e que muitos consideram como um fenômeno que se fortaleceu ainda mais com a Tv à cabo e as reprises.

Não é de se estranhar que filmes como 2001 – Uma Odisséia no Espaço, O Poderoso Chefão, 3 Homens em Conflito e Casablanca sejam ovacionados como entidades do cinema, como filmes acima de qualquer crítica, mas estes filmes tem o peso do tempo, de certa forma representam épocas e idéias que o público de hoje não viveu, de certa forma isso é cult, é cool. Um sonho de Liberdade não se encaixa nisto, e até hoje soa contemporâneo e não tem o peso “escapista” destas outras obras.

Esta super-valorização do antigo em contraste com o novo é um tipo de barreira que muitos filmes recentes ainda precisam enfrentar. Para alguns cinéfilos é como se eles nunca pudessem ser comparados aos clássicos antigos, por melhor que estes filmes sejam.

Falando mais sobre o filme, diria que ele é quase uma espécie de equilíbrio perfeito resultando no melhor filme para agradar qualquer público. No filme temos um personagem com um dilema fácil de se identificar, uma história séria e ao mesmo tempo edificante, uma união do brutal e do belo, uma união entre a simplicidade de história e o espetáculo. Um filme que puxa e esbofeteia na cara o público por mais disperso que seja, é a simples história e ao mesmo tempo a obra de cinema.

Os momentos finais do filme são um caso à parte, são parte muito importante do porquê Um Sonho de Liberdade ser tão especial, é na minha humilde opnião o melhor final de filme de todos os tempos, algo tão magistral que o expectador nunca esquecerá.

Por mim amanhã Um Sonho de Liberdade poderia ser praticamente um sinônimo de cinema, o filme realmente merece.

Todo mundo deveria assistir a este filme. Recomende mesmo que você mesmo não tenha assistido.

Ps: Quase nada tem a ver com o texto, mas vale comentar que Cidade de Deus está na posição 18° na lista do IMDB, é o segundo filme não-falado em inglês mais bem posicionado da lista perdendo apenas para o crássico Os Sete Samurais. É gratificante saber que o público do mundo todo reconhece o quanto este filme é genial, embora pareça que o público brasileiro ainda não se deu conta disso. E a todos os detratores do filme, independente da razão, sendo o mimimi do “imagem do Brasil no exterior” a mais irritante delas, CHUPEM ESSA!